O movimento da complicação das coisas
O cidadão comum olha para a fotografia que cobre a parede atrás do balcão, no restaurante onde almoça todos os dias há mais de vinte anos, talvez trinta, ou mais ainda. Ao fundo, os agentes do SISBAR também olham para a fotografia.
Deitei tudo a perder, pensa o cidadão comum. Eles perceberam.
Apesar do nervosismo, o cidadão comum tenta manter a postura, dando início a uma longa conversa consigo mesmo. Corta o bife e diz:
– Vamos falar de democracia.
– Tu ainda acreditas na democracia? – Pergunta ele.
– Esforço-me por não perder a fé, o que é diferente de acreditar – diz ele.
– Não vejo onde está a diferença.
– É difícil de explicar – reconhece ele.
– Já agora, como avalias a governação do Senhor Conde, o presidente do nosso querido país?
O cidadão comum fica pensativo. Mastiga o bife lentamente.
O Senhor Conde é um pequeno ditador, porque o país também é pequeno, um minúsculo arquipélago perdido no Atlântico, mas há quem diga que ele é sobretudo um........
