O filho do querubim Boreel
É um livro muito difícil de ler – afirmou o Senhor Conde. – É uma obra demasiado caótica, demasiado obscura, digamos demasiado misteriosa. A impressão que nos dá é de estarmos no limiar da inconsciência, sabe?, quando as letras impressas se misturam com as nossas ideias e fazem-nos confundir pensamentos com sonhos e vice-versa.
Ele – o cidadão normal, o contribuinte vulgar, o utente comum – ficou calado e o Senhor Conde prosseguiu:
– Por pouco, este precioso livro não caía nas mãos do inimigo. Na verdade, estava já na posse de um agente estrangeiro quando se deu o grande terramoto, em 1976, e depois desapareceu durante décadas, até que o fomos encontrar em casa de um bombeiro chamado Elmo Manuel, aqui dos Voluntários de São Barnabé.
– Ah, sim! – Disse ele sem querer.
– Em 2006 – continuou o senhor Conde –, os nossos serviços de inteligência obtiveram a primeira referência ao livro, através do então recém-criado OVET, e logo se tornou clara e evidente a sua importância nacional, eu diria mesmo universal. No entanto,........
