Ninguém existe!
Uma gargalhada aluada explodiu de repente na sala ou, se calhar, explodiu dentro da minha cabeça. Sim, a explosão ocorreu dentro da minha cabeça. Seguramente, a gargalhada aluada rebentou dentro da minha cabeça. Afinal, por mais que viva, acabo sempre por deitar tudo a perder, todos os amores, toda a fortuna, todos os sonhos, até mesmo toda a esperança e a escrita também, bem como os personagens que nela nascem, vivem e morrem. Deito sempre tudo a perder e assim há de continuar a ser, de modo que uma gargalhada aluada explodiu, de facto, na sala.
Apanhado de surpresa, o grupo estremeceu em simultâneo. Houve gritos e interjeições de susto, olhos arregalados e palavrões do piorio. Eram seis pessoas e um papagaio e estavam reunidos à mesa, no restaurante de um hotel decrépito, em noite de lua cheia, para uma sessão de leitura baseada em seis dos meus cadernos de apontamentos.
Por mais estapafúrdia que pareça, esta história tem raízes na realidade e os personagens também. Encontrei-os numa ilha algures perto da costa oriental africana, onde passei uma curta temporada há........
