Esménia e a passagem da noite |
Numa noite de copos, algures no decurso da primeira década do século XXI, conheci uma moça chamada Esménia e ela disse-me que era uma pessoa muito deprimente – não deprimida, mas deprimente – e também disse que gostava de se chamar Ana. Se assim fosse, haveria de combinar o nome com angústia e ficaria Anagústia.
– Tão poético! – Disse ela.
Contudo, quando lhe perguntei como queria que a tratasse naquele momento, respondeu sem hesitar:
– Esménia.
Esménia falava, falava, falava e pelo meio dizia que era uma pessoa muito deprimente e depois contou que tinha uma paixão exacerbada pelas palavras.
– É por isso que estou sempre a falar – disse, explicando que andava com um caderno e uma esferográfica à mão para tomar nota das palavras, incluindo as mais feias, as mais ordinárias, as mais tristes.
Abriu a bolsa e mostrou-me o caderno e a esferográfica. Depois, disse:
– É a escrever que me revelo, não tanto a falar.
– E tu........