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Esménia e a passagem da noite

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06.02.2026

Numa noite de copos, algures no decurso da primeira década do século XXI, conheci uma moça chamada Esménia e ela disse-me que era uma pessoa muito deprimente – não deprimida, mas deprimente – e também disse que gostava de se chamar Ana. Se assim fosse, haveria de combinar o nome com angústia e ficaria Anagústia.

– Tão poético! – Disse ela.

Contudo, quando lhe perguntei como queria que a tratasse naquele momento, respondeu sem hesitar:

– Esménia.

Esménia falava, falava, falava e pelo meio dizia que era uma pessoa muito deprimente e depois contou que tinha uma paixão exacerbada pelas palavras.

– É por isso que estou sempre a falar – disse, explicando que andava com um caderno e uma esferográfica à mão para tomar nota das palavras, incluindo as mais feias, as mais ordinárias, as mais tristes.

Abriu a bolsa e mostrou-me o caderno e a esferográfica. Depois, disse:

– É a escrever que me revelo, não tanto a falar.

– E tu........

© JM Madeira