21.475 dias dos pés à cabeça
E de repente, um gajo descobre-se aqui, neste mundo, nesta vida, perplexo como se tivesse acabado de chegar agora mesmo, angustiado como se fosse partir daqui a nada, sempre apressado, tantas vezes parado, sem tempo para olhar para trás ou para dizer adeus, sem tempo para ser ou sequer parecer, muito menos para ter ou suster, mas o facto é que, no meu caso, já lá vão 21.475 dias debaixo do sol.
Feitas as contas, sem contar com o período de gestação e assinalando os anos bissextos, rolaram exatamente 21.475 dias entre aquele sábado, 11 de novembro de 1967, quando nasci no Hospital dos Marmeleiros, e esta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, em que acabo de morrer nesta frase.
Bem vistas as coisas, acho que já tive tempo para tudo, sobretudo para o que nunca fiz, incluindo boas ações e pecados imperdoáveis, mas acima de tudo o importante é que continuo a ser Duarte Martinho Velosa Caires – 100% dos pés à cabeça.........
