Mãe-loba
Hoje, escrevo com o coração em festa. O meu filho mais novo comemora os seus 20 anos. Do outro lado do Atlântico. No (nosso) Rio. Esta distância física, só é verdadeiramente medida, por uma mãe. E quem é mãe, sabe do que estou a falar.
Hoje, particularmente lembrei-me de tantas mães. E deste sentimento misto de dar asas e de querer voar junto. Já nem sei bem em que tipo de mãe me encaixo. Vou gerindo o vazio da casa. Talvez me encaixe no tipo de mãe-loba. A este propósito, vieram-me várias memórias à cabeça. Da nossa passagem por Roma, num verão que já parece distante. E da sua História. A História constrói-se na insistente dualidade entre o mito e a realidade, entre a civilização que idealizamos e a barbárie que praticamos. Ao olharmos para a fundação de Roma, celebrada na narrativa mítica de Rómulo e Remo, amamentados pela loba Luperca, no Monte Palatino, encontramos a legitimação de um império através do abraço da natureza selvagem.
O lobo, no dealbar do Ocidente, surge como o arquétipo da força bruta que nutre os construtores........
