Urgências cheias, consciências vazias?
A afluência excessiva às Urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça, motivada em grande parte por situações não urgentes, revela muito mais do que um problema de organização dos serviços de saúde. Revela, sobretudo, um problema de consciência coletiva. Um desafio ético que interpela a forma como vivemos em comunidade e como entendemos a responsabilidade para com o outro.
Os serviços de urgência existem para responder ao imprevisto, ao grave, ao inadiável. São o lugar onde o tempo vale vidas, onde cada minuto pode ser decisivo. Quando esse espaço é ocupado por situações que poderiam ser resolvidas nos centros de saúde, não estamos apenas a “escolher o caminho mais fácil”. Estamos, consciente ou inconscientemente, a retirar espaço, atenção e tempo a quem realmente precisa.
Não se trata de desvalorizar o sofrimento de ninguém. A insónia, a ansiedade, o desconforto, a dor emocional também são reais. Mas nem todo o sofrimento........
