O peso invisível de cuidar
Há amores que se tornam tarefas. Gestos que antes pertenciam à intimidade do outro e que, agora, se tornam responsabilidade de quem ama. Dar banho ao próprio pai, à própria mãe... acompanhar à casa de banho, vestir, despir, limpar. Ajudar a levantar-se, a sentar-se, a existir. Há uma angústia silenciosa nesse gesto, uma invasão necessária, mas dolorosa, de uma privacidade que sempre foi sagrada.
De repente, aquele corpo que outrora nos protegeu é o corpo que protegemos. Aquelas mãos que nos davam banho quando éramos pequenos são agora as que seguramos com cuidado, para que não caiam. Os papéis invertem-se, e com essa inversão vem uma vergonha que não é culpa de ninguém, mas que habita em todos. Vergonha de precisar, vergonha de expor,........
