O silêncio que grita: a queda do Irã e a anatomia da hipocrisia moral

“A história é cruel com aqueles que chegam atrasados”

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Há momentos na história em que pressões acumuladas por décadas emergem de forma abrupta, revelando em semanas aquilo que vinha sendo construído em silêncio. O historiador Niall Ferguson chamou esse fenômeno de “ruptura não linear”: o ponto em que sistemas complexos entram em colapso. O geógrafo e historiador americano Jared Diamond, ao estudar civilizações que ruíram, observou o mesmo padrão – sociedades toleram contradições internas por gerações, até que um gatilho aparentemente menor expõe a fragilidade estrutural que sempre esteve ali.

O Irã de janeiro de 2026 vive exatamente esse momento, com ao menos 3.500 mortos e outros milhares de feridos, segundo a organização iraniana de direitos humanos IRH (Iran Human Rights). No entanto, esse número pode chegar à 12 mil, segundo a própria IRH.

O regime dos aiatolás, que sobreviveu a guerras, sanções e sucessivas ondas de protestos, está promovendo o maior massacre de civis de sua história. Tiros deliberados na cabeça e nos olhos de manifestantes – a IRH afirma que grande parte das vítimas tinha menos de 30 anos, incluindo estudantes. Médicos ameaçados por atender feridos. Um apagão total da internet para que a carnificina ocorra longe dos olhos do mundo.

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O que vemos não é apenas brutalidade. É o espasmo final de um sistema que perdeu todas as demais ferramentas de sobrevivência.

O colapso iraniano não começou em dezembro de 2025, com a falência do Ayandeh Bank. Aquilo foi apenas o dominó visível. Descobriu-se que o banco operava como um vasto esquema Ponzi – uma pirâmide financeira – ligado à Guarda Revolucionária: bilhões de dólares em........

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