Nem colapso nem utopia: a distância que ninguém está modelando
Em 23 de fevereiro, um memorando fictício de 2028 publicado pela Citrini Research derrubou mais de US$200 bilhões em valor de mercado real em poucas horas. A IBM teve seu pior dia em 25 anos porque a Anthropic soltou um blog sobre COBOL. Michael Burry compartilhou o cenário e comentou: “E vocês acham que eu sou pessimista.”
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Acompanho esses movimentos de perto. O que me incomoda não é a volatilidade. É a preguiça intelectual por trás dela. Ficção virou tese. Tese virou pânico. Pânico virou preço. Fui atrás da matemática para ver se alguém tinha feito a conta.
O mercado contra si mesmo
O Bank of America resumiu a esquizofrenia atual em uma frase: o mercado precifica ao mesmo tempo que o investimento em infraestrutura de IA é insustentável e que a adoção será tão rápida que destruirá modelos de negócio inteiros. Se o retorno do CapEx é fraco, o medo de disrupção é exagerado. Se a disrupção é real, o CapEx é barato. Escolha um. Não dá para sustentar os dois.
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O dano organizacional dessa incoerência já é auto-reforçante. Quando a ação de uma empresa cai 15% por medo de IA, a tecnologia não mudou. Mas a resposta organizacional muda. Reunião de conselho. Congelamento de contratações. Roadmap rasgado e reescrito em torno de “estratégia de IA” tendo ou não uma estratégia coerente. A queda não apenas reflete a realidade. Cria realidade. É profecia que se cumpre sozinha, e o mercado adora esse tipo de armadilha.
O cenário de catástrofe e seus pressupostos
A Citrini publicou “The........
