Cinco meses de panela de pressão: como as redes rejeitaram Messias antes do Senado

Na noite de 29 de abril, o Senado Federal fez algo que não fazia desde 1894: disse não a um indicado ao Supremo Tribunal Federal. Jorge Messias, advogado-geral da União escolhido por Lula, foi rejeitado por 42 votos a 34 — sete a menos que o mínimo necessário.

Mas o plenário físico era apenas metade da história. Enquanto senadores depositavam seus votos em urna secreta, o painel do Claritor registrava o dia mais barulhento do mês: 5.443 menções em 24 horas, concentradas entre o fim da tarde e a madrugada. Um único dia respondeu por quase metade de tudo o que foi dito sobre Messias em 30 dias.

O voto era secreto. A reação, ensurdecedora.

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A erupção de um vulcão adormecido: o paradoxo do silêncio prévio

O dado mais revelador do Claritor não está no pico — está no vale que o antecedeu. Durante a maior parte de abril, o tema “Jorge Messias e STF” circulava em banho-maria: entre 84 e 362 menções diárias, um murmúrio de bastidores que interessava a poucos e alcançava menos gente ainda. No dia 25 de abril, por exemplo, foram apenas 38 menções no X/Twitter — o ponto mais baixo do mês.

E então, a curva se inclina como um bisturi:

Dia 29: 5.443 menções — o pico sísmico

Em 72 horas, o volume de conversas se multiplicou por 18. Não foi um crescimento orgânico: foi a pressão de uma panela que alguém esqueceu no fogo por cinco meses e que estourou no momento exato da sabatina e da votação.

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O impacto total no X/Twitter, naquele único dia, alcançou 21 milhões — mais da metade de todo o impacto acumulado da plataforma no mês inteiro, que somou 35 milhões. Sejamos francos: quando um tema político concentra 60% de sua repercussão digital em menos de 12 horas,........

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