FGC, Banco Master e o teste silencioso da governança do sistema financeiro nacional |
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No sábado, 17 de janeiro de 2026, veio o alívio. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) confirmou que os investidores do Banco Master teriam acesso aos valores garantidos, encerrando semanas de incerteza. Para quem tinha aplicações diretamente no banco, a notícia significou tranquilidade financeira. Para o mercado, significou algo ainda mais relevante: a sensação de que, apesar de tudo, os mecanismos do sistema funcionaram.
Mas o caminho até esse “ufa” foi tudo menos linear.
Antes da confirmação do início do pagamento, o que se viu foi a liquidação do Banco Master, investigações envolvendo suspeitas de fraude, manifestações do Banco Central (BC), questionamentos públicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e uma sequência de notícias que extrapolaram, e muito, a mera liquidação de um banco. Em determinado momento, a dúvida já não era apenas se o FGC pagaria os investidores. Era, também, se as regras do jogo seriam seguidas. Era se o Sistema Financeiro Nacional (SFN) e seu desenho institucional seriam capazes de aguentar o tranco de uma crise que deixou de ser “do banco” e passou a ser “do mercado”.
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Nesse contexto, o papel do BC combina funções que, no âmbito da governança corporativa, estariam distribuídas entre o conselho de administração e o comitê de auditoria. É ele quem identifica a inviabilidade da instituição, acompanha riscos de liquidez e solvência, decreta a liquidação e toma decisões orientadas não à sobrevivência de uma empresa específica dentro do seu arcabouço, mas à estabilidade e à perenidade do sistema como um todo.
Já o liquidante assume uma função comparável à da diretoria executiva em um cenário extremo de reconstrução ou encerramento: administra a massa da instituição financeira liquidada, identifica e converte ativos, organiza........