Brics e outros emergentes: O mundo multipolar que o Ocidente não pode ignorar |
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LONDRES – O lançamento da Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump marca um momento crucial para os Estados Unidos e o Ocidente. Os EUA reformularam seu papel global em torno de um conjunto mais restrito de prioridades centrais, enfatizando a revitalização industrial, cadeias de abastecimento resilientes e concorrência estratégica, ao mesmo tempo em que sinalizam que os aliados tradicionais devem assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança e sorte econômica.
Ao mesmo tempo, a União Europeia está avançando com propostas de política industrial – como a exigência de que bens críticos contenham até 70% de conteúdo proveniente da UE – que refletem uma ansiedade profunda em relação à dependência, vulnerabilidade e perda de controle. Mas é necessária uma reflexão mais fundamental, tanto na Europa como no Reino Unido.
A era do domínio estratégico ocidental chegou ao fim. Cadeias de abastecimento antes tratadas como ativos comerciais neutros são agora instrumentos de poder, e decisões sobre tecnologia, comércio e investimento tornaram-se inseparáveis das questões de segurança nacional, estabilidade social e custo de vida. Contudo, muitas vezes, as políticas ocidentais oscilam entre posturas morais e intervenções defensivas, em vez de promover uma estratégia coerente no longo prazo.
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A visão do mundo imediatamente após a Guerra Fria tratava o domínio econômico do Ocidente como sinal de que todos os países convergiriam para o seu modelo liberal. Isso se mostrou incorreto. O que enfrentamos hoje não é perturbação passageira, mas transformação estrutural: uma mudança de um sistema amplamente unipolar para um conjunto........