Pix e cripto: por que o desenho atual ameaça a eficiência do sistema financeiro

A ideia de realizar pagamentos, depósitos e transferências instantaneamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, era, até poucos anos atrás, apenas uma promessa futurista — ou uma realidade restrita a poucos. Esse futuro, porém, já chegou: hoje, mais de 80% da população adulta no Brasil e cerca de 13 milhões de empresas acessam o Pix.

O Brasil aprendeu a usar o Pix, a vida financeira tornou-se instantânea e o país virou referência mundial em pagamentos. Agora, vivemos uma revolução semelhante no mundo das criptomoedas. O sucesso absoluto dessa ferramenta, somado à maturidade do Banco Central na construção do quadro regulatório para os criptoativos, mostra que o universo cripto não é um sistema paralelo, mas o novo estágio de operação do dinheiro, totalmente integrado à nossa rotina.

No Brasil, a integração com o Pix foi o divisor de águas que permitiu às pessoas enxergarem a economia cripto como algo tangível. Hoje, é possível converter saldos em criptomoedas para reais e fazer pagamentos instantâneos com a mesma facilidade de uma transferência entre contas correntes.

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Um ponto crucial nesse avanço da adoção de criptoativos é a conexão dos Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) — em fase de transição para serem totalmente regulados pelo Banco Central — com o sistema Pix. A adoção de cripto no Brasil e na América Latina atingiu um grau de maturidade que nos coloca em posição de liderança global: o Brasil ocupa atualmente a 5ª posição no mundo (segundo o índice Chainalysis 2025), liderando de forma isolada a região.

Para que essa evolução continue contribuindo para a inovação, sem expor o sistema financeiro a riscos desnecessários, precisamos enfrentar três pontos: a autonomia operacional das novas instituições, a simplificação do ecossistema de pagamentos e o desalinhamento regulatório que hoje limita a eficiência das PSAVs e, por consequência, a competitividade do próprio sistema financeiro nacional.

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