Se “tudo é TV”, o dinheiro segue o mesmo caminho

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O The Wall Street Journal abriu 2026 explicando como os Reels se tornaram um negócio de US$ 50 bilhões. A reportagem de Meghan Bobrowsky recupera a fala de Mark Zuckerberg na teleconferência de resultados de outubro, quando o CEO da Meta afirmou que o produto do Instagram e do Facebook já havia superado uma taxa anualizada de US$ 50 bilhões. Em termos práticos, a empresa caminha para gerar esse volume de receita nos próximos 12 meses.

A escolha visual para o artigo é sugestiva. Em vez de uma foto ilustrativa, a abertura traz um mosaico de vídeos enquadrados simulando a interface do Instagram. É um lembrete de que há apenas cinco anos, o Reels era classificado como uma cópia apressada do TikTok, sem modelo de negócio. Ao fim do ano fiscal de 2025, a Meta deve superar a receita da Coca-Cola em 2024, de US$ 47,1 bilhões, e a da Nike no exercício encerrado em maio, de US$ 46,3 bilhões.

Na comparação com concorrentes diretos, a distância também chama atenção. Analistas citados por Bobrowsky projetam cerca de US$ 46 bilhões em receita publicitária para o YouTube, enquanto a eMarketer estima US$ 17 bilhões para o TikTok.

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E o consumo acompanha o dinheiro. Segundo dados da Sensor Tower citados pelo WSJ, o usuário médio do Instagram passa 27 minutos por dia assistindo ao Reels, contra 21 minutos no YouTube Shorts. O TikTok segue na dianteira, com 44 minutos diários dedicados ao feed principal.

Receita em escala industrial e atenção hiper concentrada ajudam a contextualizar um dos ensaios mais relevantes publicados em 2025 sobre mídia e consumo: Everything Is TV, de Derek Thompson.

No artigo, Thompson sustenta que um ecossistema antes fragmentado entre texto, podcasts, redes sociais e vídeo converge rapidamente para o vídeo episódico de formato curto. Ao acompanhar a trajetória das principais empresas de internet voltadas ao consumidor, ele mostra como essas plataformas, independentemente do ponto de partida, evoluem para algo funcionalmente indistinguível da televisão.

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O Facebook, por exemplo, começou como um diretório universitário. Outras nasceram no rádio, em mecanismos de busca ou até em geradores de imagens por inteligência artificial. No fim, o destino tem sido o mesmo: fluxos contínuos de vídeo curto. Em termos de sistemas dinâmicos, trata-se de um “atrator”, o termo usado por Thompson para descrever esse estado.

Hoje, mais de 80% do tempo no Facebook e 90% no Instagram são gastos assistindo a vídeos. As plataformas ajustaram linguagem, ritmo e produto a lógicas consolidadas da televisão: serialização, repetição, estímulo emocional e otimização agressiva da atenção.

Ao analisar o ensaio, Rex Woodbury faz uma ressalva importante. Para ele, o exemplo mais claro de........

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