O índice de ‘Interessância’: o ativo invisível que diferencia carreiras no mercado financeiro
Tem uma palavra que entrou no meu repertório por causa de uma grande amiga, Renata Monnerat, gerente de marketing de um dos shoppings mais importantes de Brasília, o Brasília Shopping. No nosso Clube do Livro, ela contou sobre a conversa que teve com a sua filha adolescente: “Filha, é preciso manter a sua interessância alta.”
Se eu puder trazer uma definição, diria que é a capacidade de se manter relevante, agradável e valioso em qualquer roda em que você esteja. É ser alguém que as pessoas querem ouvir, com quem querem conversar e, principalmente, ao lado de quem querem permanecer. E sim, fazer negócios.
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E antes que você confunda, não estamos falando da síndrome do protagonista, nem de carisma performático, nem daquela pessoa que fala alto para ser notada. Interessância é outra coisa.
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Particularmente, acho que deveria ser um mantra para a vida. Em tempos de conhecimento raso, achismos infundados e pouca interpretação, manter-se interessante, independentemente do ambiente, pode ser um exercício extraordinário. No mercado financeiro, especialmente quando falamos de clientes de alta renda, isso não é detalhe. É ativo.
Foi aí que comecei a brincar com a ideia de: e se Interessância fosse um índice? Algo mensurável. Do mesmo jeito que o mercado tenta mensurar capital humano, por que não mensurar capital relacional Nascia ali, na minha cabeça, o I² — Índice de Interessância.
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Não como fórmula exata, mas como uma lente para leitura de carreira. E, se me permitem levar a brincadeira adiante, imaginei o índice com a seguinte lógica:
Cada variável varia de 0 a 10.
O modelo é multiplicativo: se um fator tende a zero, o índice inteiro perde força.
Repertório curado: Não é saber tudo. É saber escolher bem o que você consome, estuda e leva para a conversa. Pessoas interessantes não despejam informação. Elas fazem curadoria. Conectam mercado, mundo, comportamento e contexto. Leia. Leia muito. Leia até bula de remédio. Mas leia.
Escuta estratégica: Aqui mora um dos maiores diferenciais profissionais que existem. Escutar sem ansiedade de responder. Entender o que está por trás da fala do outro. Ajustar o discurso ao interlocutor, não ao próprio ego.
Leitura de contexto: Saber onde você está, com quem está e qual é o momento. Tem gente brilhante que perde valor porque não sabe ler a sala. Interessância também é timing, silêncio e sensibilidade. Interessância exige capacidade de observação. Treinar o olhar.
Capacidade de conexão: Pessoas interessantes conectam pontos. Assuntos, pessoas, ideias. Elas fazem a conversa render. Ampliam o ambiente. Geram movimento. E fazem isso com uma maestria impressionante. Existe aqui uma pitada essencial: gostar de ser útil.
Narrativa pessoal coerente: Não é storytelling ensaiado. É coerência entre discurso, prática e trajetória. Você sabe quem aquela pessoa é porque ela se mantém consistente ao longo do tempo.Isso gera credibilidade. E credibilidade é, no longo prazo, o ativo com maior delta de retorno na carreira.
Curiosidade genuína: Sem curiosidade, a Interessância morre. Quem não se interessa por nada novo, rapidamente deixa de ser interessante. Perguntar bem, aprender sempre e se abrir ao diferente são motores silenciosos desse índice.
O mais curioso é que esse índice não funciona por soma. Ele funciona por multiplicação. Quando um desses fatores zera, todo o restante perde força.
E aqui vai um ponto sensível para o mercado financeiro: produto não sustenta conversa. Rentabilidade não fideliza sozinha. Performance não cria vínculo.
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O que diferencia profissionais em ambientes onde todos têm acesso às mesmas informações é a densidade da presença (e da entrega), a qualidade da conversa e o valor que você gera simplesmente por estar ali.
Competência te coloca na mesa. Interessância faz você ser convidado para ficar.
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Talvez esteja na hora de olhar para a sua carreira não só pelo que você entrega, mas pelo quanto você é interessante de acompanhar ao longo do caminho.
Importante dizer: este não é um conceito científico, nem pretende ser. É uma provocação prática. Um exercício de olhar para a própria carreira por outro ângulo.
Se essa brincadeira cognitiva te ajudar a se tornar uma profissional mais interessante de acompanhar, o objetivo está cumprido.
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E sobre a Renata, uma das pessoas com o I² mais altos que já tive o prazer de encontrar.
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