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IA no Brasil: acabou o “FOMO”, começou a cobrança por resultado

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30.04.2026

A inteligência artificial vive um momento curioso. No Brasil, a tecnologia deixou de ser restrita a nichos técnicos e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. A pesquisa Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil, da Infobip com o Opinion Box, mostra que 70% dos usuários recorrem à IA para apoiar atividades de trabalho, lazer e estudo — e 50% já aplicam a tecnologia diretamente no contexto profissional. Ao mesmo tempo, 69% ainda utilizam apenas versões gratuitas das ferramentas, sinal de que o mercado está em um estágio inicial de maturidade e monetização.

Esse avanço no uso convive com um movimento igualmente relevante no mundo corporativo. Depois de uma fase de aceleração impulsionada pelo FOMO (fear of missing out, ou medo de ficar para trás), o ecossistema entra em um estágio mais seletivo: projetos deixam de ser movidos apenas por pressão executiva ou marketing e passam a ser cobrados por retorno mensurável para o negócio.

Esse movimento marca uma mudança de maturidade. A pergunta deixou de ser “como usar IA” e passou a ser “onde ela realmente funciona”. É nesse contexto que a IA vertical começa a se consolidar como um caminho ao mesmo tempo promissor e desafiador para as empresas brasileiras.

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Se no início a lógica era aplicar modelos generalistas em qualquer contexto, a prática mostrou suas limitações. Em setores mais sensíveis e regulados, como jurídico, saúde e financeiro, precisão, contexto e responsabilidade pesam mais do que velocidade ou “novidade”.

Por que a maioria dos projetos de IA falha

A distância entre expectativa e execução ainda é grande. O relatório The GenAI Divide: State of AI in Business 2025, do MIT, aponta que apenas 5% dos programas piloto de IA conseguem impulsionar rapidamente a receita. Estudos recentes de Goldman Sachs (2024), Gartner (2024) e BCG (2024) vão na mesma direção: muitos executivos seguem insatisfeitos com o retorno sobre investimento de seus pilotos e projetos de IA.

Isso reforça que o desafio não está no acesso à tecnologia, mas na forma como ela é aplicada.

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Grande parte das iniciativas ainda se limita a “embalar” modelos existentes, sem domínio real sobre a tecnologia ou sobre a........

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