O charuto de Vorcaro e a breguice do poder

Há algo de irresistivelmente provinciano no espetáculo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece numa foto extraída do celular de Daniel Vorcaro com um charuto na mão, copos de uísque na mesa e o sorriso de quem finalmente chegou ao clube certo. Ao lado, o banqueiro do Master. Em Londres, no George Club, Mayfair. Não é um encontro de trabalho. É pose. É deslumbramento. É o servidor público bem pago fingindo-se nababo.

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Alexandre Garcia foi direto ao ponto quando falou dos protetores de Vorcaro voando de graça. O vídeo não inventa trama: apenas descreve o óbvio que Brasília insiste em tratar como “coincidência social”. Quem protege, quem voa, quem degusta. O banqueiro pagava a conta da fantasia. As autoridades vestiam o figurino. E depois vinham ao plenário falar em “contato breve e banal”.

Gonet chegou a mandar recado – via emissário – do tipo “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”. Não é linguagem de magistrado republicano. É linguagem de convidado ansioso para a festa do rico. O mesmo homem que, dias antes da foto circular, minimizou a relação. A foto não mente. O charuto na mão não é........

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