Quem decide a guerra: homens ou máquinas?
Clausewitz, o general prussiano do século XIX, autor póstumo de “Da Guerra”, o mais importante livro já escrito sobre conflitos armados, ensinou que o fenômeno da fricção é onipresente nos combates: “Tudo na guerra é muito simples, mas mesmo as coisas mais simples são difíceis”. Isso porque a incerteza reina: informações faltam ou são incompletas, levando a decisões erradas; o inimigo reage de maneira inesperada; condições meteorológicas mudam; equipamentos quebram; suprimentos não chegam. Tudo isso cria uma “névoa” que não permite que os comandantes vejam a situação dos combates exatamente como ela é.
Para superar essa dificuldade, dos tempos de Clausewitz aos dias de hoje, os exércitos desenvolveram estruturas cada vez mais completas para o gerenciamento do campo de batalha, com equipes especializadas em inteligência, logística, comando e controle, aquisição e seleção de alvos, por exemplo. Tudo com a finalidade de dissipar o “nevoeiro” clausewitziano e acelerar, com precisão, o ciclo de tomada de decisão.
O surgimento da Inteligência Artificial, entretanto, está revolucionando o gerenciamento do espaço de batalha. Sistemas capazes de processar milhões de dados em segundos podem identificar ameaças, antecipar movimentos inimigos, coordenar enxames de drones e reduzir drasticamente o tempo entre a detecção de um alvo e seu engajamento.
Mais do que dissipar o nevoeiro, permitindo que os militares enxerguem com........
