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2026 não será um recomeço

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29.12.2025

Chegamos à última semana do ano. É clichê, mas é verdade: a sensação é a de que mais um ano voou. A sucessão acelerada de eventos que nos chegam ao conhecimento, neste mundo hiperconectado que não nos dá trégua, absorve tanto a nossa atenção que mal percebemos a passagem do tempo. É inexorável: aquelas longas tardes da minha infância, que pareciam intermináveis, ficaram definitivamente para trás.

No arriscado exercício de tentar prever os rumos da geopolítica em 2026, começo pela previsão mais fácil, fruto da constatação que abre este texto: continuaremos sem descanso, em meio a uma sucessão acachapante de eventos. É certo que a disputa pelo poder entre Estados nacionais, muito mais preocupados em alcançar seus próprios objetivos em detrimento da construção de consensos coletivos internacionais — tão marcante em 2025 —, seguirá como traço dominante.

Com isso, problemas que exigem soluções coletivas e concertadas entre diferentes Estados, como o crime transnacional, os fluxos migratórios, as mudanças climáticas, o controle de armas de destruição em massa, a governança do espaço cibernético e do espaço sideral e as regras do comércio internacional, tendem a permanecer sem respostas eficazes.

Ou seja, no campo dos assuntos estratégicos e geopolíticos, 2026 provavelmente não marcará um recomeço, mas uma continuidade

A política de poder, aquela em que “os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem”, continuará a prevalecer nas relações internacionais. Com isso, prosseguirá a tendência atual de erosão do multilateralismo construído sob a

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