O dia em que abandonei o socialismo

O sapo morava numa caverna escura e certa vez lhe perguntaram o que era o céu. Prontamente ele respondeu:

– Ora, o céu é o buraquinho no teto da minha casa!

Em 1999, eu era esse sapo e o meu céu se chamava socialismo. Meses antes do acontecimento que vou relatar hoje, eu voltara a acreditar em Deus, durante uma epifania que tive na cidade de Mariana, pondo fim a uma longa noite de ateísmo. Mas, embora já tivesse o coração tocado por Deus, minha mente ainda se escondia no autoengano da ideologia revolucionária.

Na época eu trabalhava no sindicato dos jornalistas, cuja sede se localizava em um fundo de vale da cidade. Todas as manhãs, quase sempre moído de ressaca, dava expediente no sindicato. Da janela de minha sala, via-se uma trilha de terra que algumas pessoas – geralmente trabalhadores pobres e crianças – utilizavam para ir de um bairro a outro. Naquela manhã de outubro, esse caminho de chão pisado íngreme me fez lembrar a passagem bíblica do homem........

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