Autodossiê: confissões de um cronista à procura de Deus |
Está na moda fazer dossiês contra os traidores da direita, não é? Hoje resolvi facilitar a vida dos investigadores e fazer eu mesmo um autodossiê (cujos fatos já podem ser encontrados em meus livros, mas, convenhamos: essa turma não gosta muito de literatura).
Confesso que, se pudesse, não escreveria mais uma única linha sobre política. A despolitização completa é um dos meus maiores sonhos. Se me fosse dada a chance, eu só falaria do perdão, dos grandes livros e do milagre eterno chamado Logos divino.
Tenho um profundo e incoercível desprezo pelos poderes deste mundo, que, para mim, são vento, vaidade e palha. Por isso, reservo meu domingo — o Dia do Senhor — para falar de assuntos não políticos e refutar a tenebrosa, hedionda, nefasta ideia de que “tudo é política”.
A política foi fundada por Caim a partir do assassinato e da traição; dizer que tudo é política equivale a transformar toda a realidade em um inferno habitado por serpentes e moscas varejeiras
A política foi fundada por Caim a partir do assassinato e da traição; dizer que tudo é política equivale a transformar toda a realidade em um inferno habitado por serpentes e moscas varejeiras
Longe de mim tal aleivosia com meus sete leitores!
Meditando sobre os mistérios do Rosário, concluí que todas as minhas ações durante a vida convergem para um só fim: a procura de Deus. Não há nada mais importante do que isso.
Era Deus que eu procurava quando discursava nas assembleias estudantis dos anos 70, quando escrevia para o boletim do Sindicato dos Jornalistas, quando participei das campanhas políticas da........