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O neodonatismo rebelde da SSPX

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25.02.2026

Um tema frequente do pontificado de Francisco foi a crítica ao que chamou “neopelagianismo”, uma versão renovada da antiga heresia que desprezava a graça divina e afirmava que a salvação dependia puramente do mérito individual. O neopelagianismo “manifesta-se em muitas atitudes aparentemente diferentes entre si: a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atração pelas dinâmicas de autoajuda e realização autorreferencial”, descreveu o papa em Gaudete et exsultate (n. 57). Pois agora estamos diante de outra “neo-heresia”, como demonstra a resposta da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (SSPX) ao Vaticano sobre as ordenações episcopais ilícitas prometidas para 1.º de julho: o neodonatismo.

O superior-geral da SSPX, padre Davide Pagliarani, enviou no último dia 18 sua resposta ao cardeal Victor Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, afirmando que recusava as ofertas e pedidos do Vaticano: o adiamento das ordenações episcopais e o estabelecimento de um diálogo entre a Santa Sé e os lefebvristas. O mais insano é que os tradicionalistas estão partindo para o confronto aberto com o papa “por razões de honestidade intelectual e de fidelidade sacerdotal, diante de Deus e diante das almas” (a tradução que uso aqui é a do próprio site da SSPX no Brasil).

O padre Pagliarani diz que “não podemos estar de acordo no plano doutrinal, em particular, no que concerne às orientações fundamentais tomadas desde o Concílio Vaticano II” e que “tal desacordo, da parte da Fraternidade, não se deve a uma mera divergência de ponto de vista, mas a um verdadeiro caso de consciência, nascido do que se tem mostrado como uma ruptura com a Tradição da Igreja” (percebe-se como os lefebvristas abraçam os progressistas mais desvairados nessa interpretação sobre o significado do concílio; já tratei disso algumas semanas atrás). A SSPX se queixa de que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da reforma litúrgica ser questionada”.

A carta ainda tem a pachorra de inverter as responsabilidades pela ruptura quase inevitável, quando afirma que “a mão estendida da abertura ao diálogo vem infelizmente acompanhada de uma outra mão, já pronta para infligir sanções” e que “tal ameaça se fez publicamente, o que cria uma pressão dificilmente compatível com um genuíno desejo de intercâmbios fraternos e de diálogo construtivo”. Como se o Vaticano estivesse falando de excomunhões assim, do nada, e não em resposta ao anúncio de ordenações episcopais em desobediência clara ao papa...

“Diz-se (...) cisma a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos”Código de Direito Canônico, cânone 751

“Diz-se (...) cisma a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos”

A SSPX ainda publicou alguns anexos, inclusive um estudo argumentando que “uma consagração episcopal não autorizada pela Santa Sé, quando não é acompanhada nem de uma........

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