São Paulo calado, Brasília satisfeita

Ficou evidente, a meu ver, que Simone Tebet e Marina Silva não representam, de fato, os interesses do estado de São Paulo. Embora liderem pesquisas eleitorais para o Senado, ambas não são oriundas do estado, tampouco defendem pautas alinhadas às necessidades concretas dos paulistas.

O que observo é que suas trajetórias e posicionamentos orbitam, sobretudo, em torno dos interesses de Brasília — desse sistema centralizador que, há anos, sustenta-se em uma máquina pública inchada, burocrática e corroída por esquemas que se infiltram em ministérios, autarquias e estatais.

Esse modelo, profundamente enraizado, sobrevive da manutenção de privilégios e da perpetuação de uma lógica que pouco dialoga com as demandas reais de quem produz riqueza. E é justamente aí que reside a questão central: por que o paulista insiste em optar por representantes que não vivem sua realidade? A resposta, ainda que incômoda, parece simples — falta compreensão sobre o mecanismo de drenagem de recursos que penaliza São Paulo há décadas.

O fluxo invisível que empobrece o estado mais rico

Tenho defendido há anos, e reitero agora com mais clareza: São Paulo é sistematicamente prejudicado por políticas públicas definidas em Brasília. Recursos gerados aqui são desviados para um orçamento central que raramente retorna de forma proporcional. E, quando retornam, muitas vezes o fazem de maneira opaca, envolta em estruturas pouco transparentes e suscetíveis a desvios.

O resultado........

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