A Lição do Iranianos
No século XIX, na Europa, logo após a Revolução Francesa, os regimes de monarquias absolutistas tradicionais viveram seu maior desafio. Para o regime tradicional, aceitar limites, compartilhar poder com outros fora do conjunto de valores tradicionais e ter de seguir uma constituição laica significava o fim.
Mas, para a população europeia da época, que não aceitava mais os mitos, tradições, normas e padrões vigentes, o fim era seguir vivendo sob um regime que perdeu a sustentação de seus pilares.
Para milhares de pessoas de então, valia a pena pegar em armas para se levantar contra o regime. E, para os governantes da época, valia a pena fazer de tudo para evitar o caos e manter a ordem. O embate foi inevitável. Milhares morreram em diversos levantes ao longo do século, e a Europa nunca mais foi a mesma. O regime que aceitou as mudanças sobreviveu diferente, mas sobreviveu. Quem resistiu, caiu.
Esse é o caso do Irã hoje, com uma grande diferença. Não se trata somente da derrubada de um regime ditatorial, que nunca foi legítimo e que, na percepção de boa parte dos iranianos, se caracteriza como regime de ocupação, ou seja, é uma força externa que está ocupando o país e não representa a identidade nacional.
O que representaria essa identidade e quais as alternativas para o Irã? Só a saída dos aiatolás resolveria? E as leis muçulmanas? Talvez a volta ao que existia antes? E é essa a diferença dos levantes na Europa do século XIX e o Irã atual.
Na Europa, os levantes do século XIX eram pela esperança de algo novo, que nunca existiu, pela utopia de ideias republicanas que, na época, eram sinônimo de liberdade. No Irã do século XXI, é o oposto. A república islâmica é a opressora, estrangeira, e a verdadeira chance de resgatar a identidade e a liberdade é a volta do Xá.
Antes, era o Xá, extremamente ocidentalizado e que queria projetar o país como um país asiático moderno, ao promover obras de expansão e o alinhamento com o Ocidente.
O regime do Xá não foi perfeito, mas foi incomparavelmente mais livre e tolerante que o atual dos aiatolás
Em outras palavras, o modelo político e econômico da monarquia constitucionalista do Irã da época seguia a linha política ocidental. Foi esse um dos motivos........
