Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!

Hoje, mais do que nunca, o Brasil vive um paradoxo moral profundo. Nunca se falou tanto em democracia, civilidade, combate ao ódio, valores republicanos e responsabilidade institucional. O discurso dominante — repetido à exaustão por autoridades, ministros de tribunais superiores, jornalistas da grande mídia e lideranças políticas no poder — apresenta-se como guardião da virtude pública.

No plano retórico, tudo parece elevado. Na prática, o que se observa é a consolidação de uma moralidade seletiva, aplicada de forma assimétrica: rigorosíssima com adversários e extremamente indulgente com aliados.

Escândalos em série, aparelhamento de estatais, captura de órgãos públicos e conivência com práticas suspeitas convivem sem qualquer constrangimento com discursos inflamados sobre ética e democracia.

Certos comportamentos são tratados como crimes contra a civilização quando praticados por adversários políticos; os mesmos comportamentos, quando praticados por aliados do sistema, são relativizados, rebatizados ou simplesmente ignorados.

O cidadão comum percebe, com crescente clareza, que há regras diferentes para grupos diferentes — e que o sistema está........

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