A panela de pressão do Supremo
Associada ao general Golbery do Couto e Silva, a teoria da panela de pressão ganhou força no final da ditadura, quando o regime militar percebeu que a repressão já não bastava para conter as tensões acumuladas na sociedade. A abertura política seria uma forma de liberar gradualmente o vapor, antes que a panela explodisse.
A intuição da metáfora ultrapassa seu contexto original. Sistemas políticos podem suportar grandes doses de tensão enquanto dispõem de meios capazes de absorvê-la. O problema surge quando esses meios deixam de funcionar – ou quando os atores encarregados de administrar os conflitos passam a ser percebidos como parte deles.
É aqui que Golbery encontra o Brasil de 2026.
A Constituição de 1988 nasceu da experiência autoritária. Distribuiu competências, fortaleceu instituições de controle e atribuiu ao STF uma posição estratégica na defesa da ordem constitucional. Era uma arquitetura desconfiada da concentração de poder. O paradoxo é que, combinada à fragilidade dos partidos e à fragmentação do Congresso, essa arquitetura acabou ampliando o poder dos tribunais.
Durante as décadas de 1990 e 2000, essa contradição foi administrável. O Supremo interferia em questões relevantes, mas mantinha distância do cotidiano da disputa política. A crise de representação que ganhou visibilidade nas manifestações de 2013 alterou esse equilíbrio, e a eleição de 2018 marcou uma inflexão. Com Jair........
