O que aprendi em décadas de jornalismo |
Meu sonho, quando menino, era estudar Literatura Brasileira. Cresci na enorme biblioteca do meu avô materno, Américo Jacobina Lacombe, imortal da Academia Brasileira de Letras, e aquele era o mundo que queria para mim. Infelizmente, meu pai, um administrador de empresas, um executivo, nunca gostou da ideia. Por pressão dele, fui estudar Processamento de Dados (era assim que se chamava na época) na PUC/RJ e Estatística na Uerj. Sim, meu pai achava fundamental que, além de cursar informática, eu também me dedicasse a uma faculdade com base matemática.
Foram quase três anos de pura tortura, às voltas com Cálculo, Cálculo Integral, Álgebra, Álgebra Linear, programas de Cobol de 700 comandos, linguagem de máquina, operações em sistema binário, hexadecimal, cartões perfurados (não existiam terminais de computador)... Quase enlouqueci. Acabei trancando as duas faculdades, para desgosto do meu pai, que me obrigou a fazer terapia. Sim, eu só podia estar louco. Ele tinha me apontado para o mercado que mais crescia, para a “profissão do futuro”, e eu... Eu não servia para aquilo.
Como eu não conseguia “permissão” para cursar Letras, da terapia para a faculdade de Psicologia foi um pulo. Fiz um ano do curso, também na PUC. Estive às voltas com cérebros e medulas nas aulas de Neuroanatomia, sempre incomodado pelo formol e pela distância que eu continuava tomando do meu sonho... Dois períodos, e pronto. Eu me enchi de coragem e fui ao meu pai: “Eu quero estudar Letras, Literatura Brasileira”. E a resposta dele foi assim: “Ah, é? Quer ler e escrever? Então, vai fazer Jornalismo”.
Mesmo inexperiente e não tendo incialmente o desejo de atuar com câmera e microfone, fui bem na cobertura das eleições de 1989
Mesmo inexperiente e não........