O Peru e sua crise permanente

O Peru amanheceu, mais uma vez, com outro presidente “interino”. É o segundo desde dezembro. O Congresso peruano escolheu o gerontocomunista José María Balcázar para ocupar a posição até o próximo escândalo. Balcázar ficou famoso no país por defender que adolescentes com mais de quatorze anos devem ter vida sexual liberada, citando, por exemplo, a sua visão de normalidade em relações consentidas entre professores e alunos.

Balcázar é o oitavo presidente desde 2018 e tem como missão conduzir o Peru até as eleições de 12 de abril (com provável segundo turno em junho) e entregar o cargo em 28 de julho — isso, se ele não sofrer um impeachment antes. Trocar de presidente no país sul-americano se tornou algo absolutamente banal. Mas nem sempre foi assim.

As descobertas da Operação Lava Jato, no Brasil, tiveram um impacto profundo no vizinho, fazendo com que as autoridades locais criassem a sua própria “Lava Jato”. As investigações das malversações da Odebrecht e dos políticos locais atravessaram fronteiras e implodiram a falsa estabilidade entre os grupos de poder que se sustentavam e se protegiam pela certeza de impunidade.

Com duas mazelas expostas, os políticos locais trataram de se organizar em um processo de autoproteção que tem como eixo central uma “prancha” na qual, de tempos em tempos, alguém........

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