Não é piada: o Brasil foi promovido no ranking das democracias

O novo relatório do Instituto V-Dem trouxe dois diagnósticos de arromba. O primeiro, e de longe o mais impactante, diz que os Estados Unidos perderam o status de democracia liberal. Sob a administração de Donald Trump, a “ex-maior” democracia do planeta está se autocratizando. Na contramão dos americanos, os brasileiros têm muito a celebrar.

Segundo o mesmo documento, o Brasil é um caso exemplar de “reversão” democrática. A volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto funcionou como um antídoto que interrompeu a erosão democrática que o então presidente Jair Bolsonaro vinha causando. Pois é, em resumo, é isso aí. A democracia morre ou ressuscita dependendo da forma que os avaliadores veem quem está no poder.

É preciso dizer logo de saída: o V-Dem é um instrumento sério. Talvez o mais sofisticado do mundo na tentativa de medir democracia em perspectiva comparada. Seu banco de dados é vastíssimo, o projeto mobiliza milhares de especialistas e o método usa modelos estatísticos avançados para transformar avaliações qualitativas em índices comparáveis.

O próprio instituto explica que grande parte de seus indicadores é construída a partir da opinião de cinco ou mais especialistas por país e por ano, em escalas ordinais depois agregadas por um modelo de mensuração que tenta corrigir ruído e estimar incerteza. Apesar do cuidado metodológico, aqui mora o problema.

O V-Dem mede muitas coisas que não são objetivamente observáveis e, para isso, depende de julgamentos de especialistas. Em outras palavras, depende da lente de quem vê. Cinco, seis, sete, dez cientistas sociais de primeira linha podem produzir um cenário que se acomode dentro da forma que eles veem o mundo, e não necessariamente como........

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