Confesso que errei: subestimei a resiliência institucional no Brasil

Em janeiro de 2018, quando coloquei o ponto final em meu livro Hugo Chávez, o Espectro, encerrei com um posfácio otimista. Eu explicava por que o Brasil, apesar de vícios endêmicos como corrupção, patrimonialismo, compadrio e apatia cidadã, não corria risco real de se “venezuelizar”. A base do meu argumento era simples: institucionalidade. As engrenagens rangiam, mas resistiam.

O mais incômodo daquela conclusão era reconhecer que o freio principal não era, propriamente, os pesos e contrapesos. Eu via um Judiciário resiliente na fricção entre Executivo e Legislativo, mas o verdadeiro amortecedor do ímpeto “revolucionário” do PT era outro: o Centrão.

O salva-vidas do Brasil era um condomínio fisiológico que se move para qualquer lado ideológico oferecendo governabilidade em troca de privilégios. Paradoxalmente, esse cálculo de sobrevivência conteve planos de controlar a imprensa, avançar sobre bancos e impor reformas de feição revolucionária. Eles sabiam que, no dia em que largassem o cabresto, seriam devorados. Sendo assim, domaram a fera para se salvar. Como se vê,........

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