Por que Rubio está certo ao dizer que o Brasil de Lula não é amigo dos EUA
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, reagiu com indignação à afirmação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o Brasil é uma exceção na “coalizão de países amigos” dos Estados Unidos na América Latina, ao lado de Cuba, da Venezuela e da Colômbia.
“A declaração de Rubio é inédita. Nem quando o Dean Rusk (secretário de Estado de 1961 a 1969) e o Lincoln Gordon (ex-embaixador dos EUA no país de 1961 a 1966) estavam conspirando (para derrubar o presidente João Goulart), um secretário de Estado excluiu o Brasil da lista de países amigos”, disse Amorim. “É uma declaração impressionante e preocupante. Precisamos ver o que ocorrerá a partir disso, mas nem quando havia conspiração essa situação foi formalizada.”
Convenientemente, Amorim omitiu em sua resposta a informação essencial de que afala de Rubio veio poucas horas depois de o presidente Lula dizer que ele é “inimigo mortal de Cuba”, “anti-América Latina” e “não gosta do Brasil”, o que já seria mais do que suficiente para justificá-la. Como se isso não bastasse, o presidente ainda dobrou a aposta no dia seguinte, ao chamar Rubio de “latino-americano frustrado” durante uma reunião ministerial, reforçando a percepção de que, com “amigos” como o Brasil de Lula, os EUA não precisariam de inimigos.
Com certeza, suas declarações não seriam incluídas no livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, o eterno best-seller do escritor americano Dale Carnegie, com mais de 30 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Ninguém que procura cultivar um relacionamento saudável e sólido com seu interlocutor – no caso, com o presidente dos EUA, Donald Trump – vai se referir assim a um de seus colaboradores mais próximos. Nem vai falar que ele agora “vai pensar duas vezes antes de tomar decisões contrárias ao Brasil”, como fez Amorim logo após Trump receber Lula na Casa Branca, com surpreendente cordialidade, no início de maio.
Trata-se de uma regra básica de convivência que se torna ainda mais pertinente se você for o presidente do Brasil ou seu principal assessor na área externa e ele, o chefe da diplomacia dos EUA, a nação mais poderosa do planeta. Sobretudo quando o país tem pendências relevantes a negociar, como o tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, recomendado pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), e divergências significativas na forma de lidar com grupos criminosos como o PCC (Primeiro........
