O STF, o Master e a degradação moral e institucional do país

Os casos do banco Master e das fraudes bilionárias do INSS, cujos desdobramentos geram calafrios nos círculos do poder em Brasília, expõem um retrato sem retoques do processo de erosão moral e institucional que assola o país. Até para os padrões do Brasil, onde o tráfico de influência e os escândalos de corrupção se sucedem em ritmo acelerado, é difícil acreditar a que ponto as coisas chegaram desta vez.

Não apenas pela magnitude das fraudes cometidas contra os aposentados, por meio de descontos realizados em seus benefícios sem a devida autorização, e pelo rombo colossal do Master, acusado de realizar negócios nebulosos, à margem das normas do Banco Central, e de operar como uma espécie de pirâmide financeira, sem lastro para cumprir seus compromissos.

Não só também pela ousadia e pela arrogância demonstradas por seus autores, que só se explicam por eles terem as costas quentes e se julgarem blindados contra a perda da “galinha dos ovos de ouro” e contra qualquer tentativa de investigação independente que possa levá-los ao xilindró, junto com seus cúmplices e com os beneficiários dos esquemas que montaram. Não é a primeira vez que algo assim acontece e, infelizmente, não será a última.

O que é realmente inacreditável para os cidadãos de bem, que trabalham duro para sustentar a si mesmos e às suas famílias e para pagar os impostos sem fim criados e turbinados pelo governo Lula, é a atuação do STF até agora (Supremo Tribunal Federal) nos dois casos.

A postura de alguns ministros vem alimentando a percepção de que o Supremo está procurando proteger os responsáveis pelas fraudes e magistrados da própria Corte, além de figuras da elite política do país que possam estar envolvidas ou ter se beneficiado das falcatruas. As próprias informações vazadas até o momento para a imprensa reforçam tal percepção. O fato de ser a primeira liquidação financeira promovida pelo BC na qual o STF resolveu interferir, também.

Nem nos casos das liquidações de bancões como o Bamerindus, o Nacional e o Econômico, ocorridas nos anos 1990, que tinham como controladores políticos influentes, como o ex-senador e ex-ministro da Agricultura José Eduardo Andrade Vieira, o ex-governador de Minas e ex-presidente do Senado José Magalhães Pinto e o ex-ministro da Indústria e Comércio Ângelo Calmon de Sá, respectivamente, isso aconteceu.

Como se poder observar pelos escândalos do Master e do INSS, as arbitrariedades do Supremo não pararam com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu grupo político

Aproveitando os poderes de “tribunal de exceção”, nas palavras de Raquel Dodge, ex-procuradora-geral da República, que o STF se autoatribuiu desde o famigerado inquérito das fake news, instaurado de ofício pelo ministro Dias Toffoli em 2019,a instituição vem tomando decisões heterodoxas nos dois casos, para dizer o mínimo,........

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