A comunidade judaica e o “shalom” eleitoreiro de Lula |
Nada como uma campanha eleitoral para produzir guinadas radicais nas narrativas e nas posições do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bastaram as eleições de 2026 aparecerem no radar para Lula mostrar interesse em “reconstruir pontes” com a comunidade judaica do Brasil, abaladas desde os atentados terroristas cometidos pelo Hamas em 7 outubro de 2023 e a reação israelense que se seguiu na Faixa de Gaza.
De repente, depois de passar mais de dois anos hostilizando Israel e o sionismo, muitas vezes de forma indistinguível do antissemitismo da pior espécie, Lula escalou a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, para levantar a bandeira branca. Como se nada tivesse acontecido nesse período, ele lhe deu a missão de visitar instituições da comunidade judaica em São Paulo, na véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro, para “quebrar o gelo” e buscar uma reaproximação que parecia improvável até pouco tempo atrás.
Pelo jeito, Lula aposta na memória curta de integrantes da comunidade e na afinidade ideológica existente entre seu governo, o PT e os judeus “progressistas” do país – a mesma turma que criou o grupo “Judeus pela Democracia” para apoiá-lo em 2022 – para tentar iludir os incautos e conquistar votos preciosos no pleito deste ano, que promete ser acirrado.
Embora a comunidade judaica seja relativamente pequena no Brasil, com cerca de 120 mil pessoas, sua influência no debate público e na formação de opinião, em especial junto à classe média de grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, é considerável, e acaba contribuindo para moldar a percepção da sociedade nos grandes temas nacionais, inclusive nas eleições.
Bastaram as eleições de 2026 aparecerem no radar para Lula mostrar interesse em “reconstruir pontes” com a comunidade judaica do Brasil, abaladas desde os atentados terroristas cometidos pelo Hamas em 7 outubro de 2023 e a reação israelense que se seguiu na Faixa de Gaza
Além disso, como mostram as pesquisas, a posição anti-Israel de Lula na guerra em Gaza foi um dos principais fatores da queda de sua popularidade junto aos evangélicos, que representam cerca de 30% da população e podem fazer a diferença no resultado das eleições. Como se sabe, tudo ou quase tudo que Lula faz é influenciado por seus marqueteiros e por seu interesse eleitoral – e hoje, no caso da comunidade judaica, não é diferente.
Desta vez, porém, diante de todas as demonstrações de hostilidade a Israel e aos judeus que ele deu, com o endosso entusiasmado de seu assessor especial Celso Amorim, do PT, de suas lideranças e de seus satélites, parece improvável que algum judeu no país, independentemente de seus pendores ideológicos, aceite seu “shalom” eleitoreiro e releve suas falas e suas ações para apoiá-lo nas urnas. Tirando meia dúzia de judeus não-judeus existentes por aí – que abraçam sem constrangimento as ideias mais odiosas contra Israel e o povo judeu – é difícil imaginar que isso possa acontecer no momento.
É certo que a comunidade judaica está longe de ser um bloco monolítico – e isso não é um privilégio do Brasil. Na Polônia pré-guerra, que abrigava uma das maiores comunidades judaicas do mundo, e mesmo no Gueto de Varsóvia durante a ocupação nazista, por exemplo, havia dezenas de partidos e organizações políticas diferentes. E, recentemente, em Nova York, que reúne o maior número de judeus fora de Israel, muitos integrantes da........