O que é pior: comer carne de burro ou passar a vida inteira tratado como tal?
Eis que virou notícia – já velha, dada a avalanche diária de notas e contranotas – que, na Argentina, as pessoas estariam “comendo carne de burro”. A manchete da maioria dos portais (especialmente daqueles que adoram achar chifre em cabeça de cavalo sempre que precisam falar de países governados pela não esquerda) dava a entender que, diante da falta de dinheiro, os hermanos tinham sido obrigados a apelar a outro tipo de churrasco. Como mostrou a Gazeta do Povo, não era nada disso.
Na terra de Javier Milei, estavam testando a criação de burros na Patagônia – e só lá – como uma alternativa à criação de outros animais. Criações alternativas à carne bovina são comuns em todo o mundo, mas dificilmente dão certo. No Brasil dos anos 80, por exemplo, tentou-se emplacar a cunicultura, ou seja, a criação de coelhos, mas os brasileiros não se empolgaram e o projeto – que tinha incentivo do governo, inclusive – deu com os burros n’água, o que pode ocorrer também com a iniciativa patagônica. Carne de equinos pode ser tradicional na Europa, mas, por aqui, na América do Sul, não tem espaço.
A visão que tradicionalmente se tem dos burros e asnos é........
