A escola não pode exigir que a alma fique do lado de fora |
O Brasil deu um passo importante na educação. O problema, como quase sempre acontece entre nós, é que a lei costuma chegar antes da coragem de cumpri-la. O novo Plano Nacional de Educação reconheceu, de forma expressa, a liberdade religiosa, a liberdade de consciência e de crença, a convicção filosófica ou política, o pluralismo de ideias e a necessidade de um ambiente plural de aprendizado.
Pode parecer apenas o mínimo. E é. Mas também é muito mais do que isso. É o reconhecimento de que a escola não lida com seres abstratos. Lida com gente. Gente que chega à sala de aula com história, valores, fé, dúvidas, vínculos, feridas e consciência.
Talvez seja isso que mais incomoda certa mentalidade pública do nosso tempo. Há quem imagine que a boa escola começa quando as convicções fortes ficam do lado de fora, como se a paz dependesse de um aluno higienizado, neutro, espiritualmente irrelevante e moralmente domesticado. Mas esse tipo de neutralidade nunca foi neutro de verdade.
No fundo, ela apenas decide, de forma silenciosa, quais visões de mundo podem aparecer com dignidade no espaço comum e quais devem ser toleradas em voz baixa, quase como embaraço. O nome disso não é liberdade. É controle cultural.
Há quem imagine que a boa escola começa quando as convicções fortes ficam do lado de fora, como se a paz dependesse de um aluno higienizado, neutro, espiritualmente irrelevante e moralmente domesticado
Há quem imagine que a boa escola começa quando as convicções fortes ficam do lado de fora, como se a paz dependesse de um aluno higienizado, neutro, espiritualmente irrelevante e moralmente domesticado
Escrevo sob o impacto de uma aula que tivemos em Madri, na terceira edição do curso internacional Derecho y Religión, da Universidade Autônoma de Madri, em parceria com o IBDR. O tema era daqueles que parecem teóricos demais até o momento em que se percebe que estão governando a vida real: políticas públicas e bem comum em sociedades plurais. A exposição lembrava algo elementar, embora frequentemente esquecido: nenhuma política pública nasce no vácuo.
Toda política responde a um ambiente histórico, social, cultural e religioso concreto. E política pública, afinal, não é slogan bem-intencionado; é um conjunto de objetivos, decisões e ações do........