Feliz 2026 com votos de mais polarização

Estes dias estava tomando uma água de coco no calçadão de Copacabana, e batendo aquele papo superficial com o dono do carrinho e mais dois clientes. Daí um sujeito passa andando rápido pelo calçadão, em frente ao carrinho, e deu para perceber que era alguém conhecido do dono do carrinho. O dono então lhe pergunta: e aí, Fulano, tudo certo? E como vai o seu cachorro?

O sujeito então se vira e responde: “puseram veneno e mataram ele! São esses bolsonaristas! Eles matam todo mundo! Esses bolsonaristas mataram o meu cachorro!” Para tornar tudo ainda mais caricato, o sujeito ainda tinha um adesivo de algum partido vermelho na camisa.

Ele foi logo embora, continuando com o seu exercício matinal, e ficamos nós ali – eu, o dono e os outros dois clientes – meio atônitos. Eu comecei: “o cara é meio radical, não?”, e o dono concordou, dizendo que ele se radicalizou mesmo. Os demais não comentaram nada, mas fizeram questão de pontuar que não comentam sobre política, e que normalmente preferem evitar o assunto. “Eu nem menciono mais política”, disse um deles.

Só faltaram dizer que o problema do país é a “polarização”; e enquanto isso, o comunista ganha no grito. Por que é a direita que tem de se calar? Por que a esquerda pode falar o que quer, mas não pode ouvir o que não quer? Por que essa concessão à hegemonia progressista?........

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