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É preciso exorcizar a ditadura do imaginário da direita brasileira

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Wagner Moura não é um cientista político. Não é um intelectual cuja leitura ou interpretação sejam relevantes para o debate público. Suas falas, no mais das vezes, são juízos rasteiros, argumentos pedestres formatados a partir de uma espécie de “senso comum” de viés progressista. A nomenclatura, por exemplo, que ele dá ao período de Jair Bolsonaro no poder, ainda que representativa da média da classe artística nacional, não tem a menor importância acadêmica. Mas, num aspecto, ele está correto: é preciso continuar fazendo filmes sobre a ditadura. Segundo o ator, o período “ainda é uma cicatriz aberta em nossa vida brasileira”.

“Mais um filme sobre a ditadura?”, dirá alguém indignado pelo que seria a hegemonização esquerdista na indústria cinematográfica. Mas por que não? Qual o problema, afinal, de denunciar um período de arbítrio, em que liberdades individuais foram revogadas, em que um Estado Policial foi erigido com o fito de enquadrar a sociedade civil, aniquilando as lideranças de diferentes correntes........

© Gazeta do Povo