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República e liberdade: uma pergunta para o Brasil

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15.04.2026

Há uma palavrinha mágica que o debate político brasileiro pronuncia com frequência e parece compreender com raridade: liberdade. Invocada por todos os lados, ela perdeu a capacidade de distinguir regimes, partidos e projetos. Quando uma palavra serve a qualquer argumento, ela não serve a nenhum. Seguindo com mais um autor da tradição republicana, hoje apresento Quentin Skinner. Ele foi historiador britânico formado em Cambridge, e dedicou décadas a recuperar o que essa palavra significava antes de ser esvaziada. O resultado pode não ser agradável.

O ponto de partida de Skinner é uma distinção que o filósofo político Isaiah Berlin tornou canônica em 1958, no ensaio Dois Conceitos de Liberdade. Berlin separou a liberdade negativa (ausência de interferência externa) da liberdade positiva (capacidade de autogovernar-se). O liberalismo clássico abraçou a primeira: livre é quem não sofre coerção direta. O Estado que não interfere garante a liberdade. Skinner aceitou a distinção, mas a considerou insuficiente. Berlin havia deixado de fora um terceiro conceito, o mais antigo e o mais exigente dos três. Como vimos no último texto, Pocock havia mostrado que repúblicas morrem pelo tempo e que a corrupção corrói as formas políticas por dentro. Skinner mostrou que morrem antes disso: quando os........

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