Praias lotadas significam que a economia está bombando?

No fim do ano, o país se enche. Gente nas estradas, gente nos aeroportos, gente nas praias, gente nos shoppings. O Brasil aparece ocupado, barulhento, em deslocamento. Algo parece funcionar. Algo parece ter se ajustado. Essa impressão – tão compreensível quanto enganosa – passa a circular como diagnóstico econômico. Praias cheias, voos lotados e comércio aquecido ganham estatuto de evidência. As festas de fim de ano assumem o papel de prova: o Brasil prospera. O amor, de fato, venceu!

A sensação não é absurda. O calor empurra para fora de casa. O ano se encerra. Algum dinheiro extra circula. Dezembro sempre teve esse ritmo expansivo, e convém reconhecê-lo antes de qualquer crítica. O turismo acompanha o compasso: aviões cheios, hotéis ocupados, serviços em atividade intensa. Alguns setores respiram melhor. Isso acontece agora e aconteceu outras vezes.

É justamente aí que a leitura escorrega. O recorte cresce demais. A parte pede para falar pelo todo – é método, não acidente. Truque retórico. Bajulação. O país inteiro parece caber na cena do embarque. A economia se deixa resumir pela........

© Gazeta do Povo