Quem começou a escangalhar as instituições: a direita ou o STF? |
De acordo com Rosa Weber, no livro condenado à eternidade pelo próprio STF, o 8 de janeiro foi um “ataque criminoso perpetrado contra as sedes dos Três Poderes da República, na tentativa frustrada de subversão do regime democrático”.
Caso um ser humano peça, data maxima venia, à Sua Ex-Excelência Rosa Weber onde está a prova de que alguém queria destruir a democracia e instaurar uma ditadura, com sorte ouvirá silêncio como resposta. Mais provavelmente, sofrerá uma busca e apreensão, será investigado por “inquéritos” secretos e infinitos, dignos da Alemanha nazista, terá a Polícia Federal revirando sua vida sabe-se lá Deus como e “responderá” a acusações que deixarão Joseph K., o protagonista de O Processo, de Franz Kafka, morrendo de inveja.
Já de acordo com a Wikipedia, os “ataques, ou atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, também chamados de Intentona Bolsonarista, Festa da Selma ou simplesmente de 8 de Janeiro, foram uma série de atos de vandalismo, invasões e depredações do patrimônio público em Brasília, cometidos por uma multidão de bolsonaristas extremistas que invadiu edifícios do governo federal com o objetivo de instigar um golpe militar contra o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva para restabelecer Jair Bolsonaro como presidente do Brasil” (sic).
A despeito da renca de adjetivos valorativos em uma enciclopédia, além de termos que ninguém usa (o que raios é “Festa da Selma”?!), é curiosa a ideia de que o 8 de janeiro foi um pedido de golpe militar, sendo que os militares apareceram para prender todo mundo
Em ambos os exemplos, fica destacada uma ordem curiosa na narrativa oficial: a democracia estava lá, pujante e deliciosa, quando, não mais do que de repente, “bolsonaristas extremistas” fizeram a “Intentona Bolsonarista” (note a quantidade de repetições do adjetivo em um mesmo parágrafo), querendo instigar um “golpe militar” para a “subversão do regime democrático”.
E isso porque estamos citando Rosa Weber e Wikipedia. Se fosse Alexandre de Moraes, as repetições seriam ainda mais chatas.
Ou seja, todo mundo estava acreditando no regime. O Brasil podia ter seus problemas, mas, se havia uma crença inabalável em 99% da população, era no STF, julgando a todos com técnica, perícia e imparcialidade e nunca se envolvendo em assuntos políticos, porque são os guardiões da Constituição e, por isso, nunca cometeriam crimes ou agiriam além dos rígidos limites constitucionais.
Todas as instâncias do edifício jurídico do país estavam funcionando, com a população........