Políticos de direita precisam ser mais cultos |
A onda de 2018 ficou marcada pelo fenômeno dos “deputags”: deputados eleitos no esteio de Bolsonaro que, chegando à Câmara, tornaram-se um número, não sabendo exatamente o que fazer. A maioria apelou para um expediente, no mínimo, pouco produtivo: pagar seus assessores para passar o dia inteiro criando “cards” e posts em redes sociais com notícias – não raro, plagiando descaradamente e sem créditos os veículos de jornalismo “de direita”, ou não alinhados ao regime.
Ou seja, os deputados, muito bem pagos, agiram (e muitos seguem agindo) imitando jornalistas – mal e porcamente. Era um festival de “Urgente!” tão repetitivo que destruiu o conceito de “urgente” na língua portuguesa – hoje, significa “deputado tentando chamar a atenção – boceje e pule para o próximo post”.
Quase nunca apontavam o que estavam fazendo em relação ao absurdo que noticiavam. Era uma mensagem esquizofrênica passada ao público: urgências urgentes a serem lidas com toda a urgência, seguidas de festas, encontros, recepções sorridentes. Ninguém parecia mais desconectado do próprio Estado de exceção do que, justamente, os deputados colocados lá para combatê-lo, observando os intestinos do poder de dentro.
A maior parte dos deputados foi tratada como o que eram de fato: números. Nada muito além de “temos tantos votos para passar tal pauta”. Raros da onda de 2018 (com seu refluxo em 2022) foram muito além da numerologia. Fato é que estamos em minoria. O problema é o pouco, ou praticamente nada, feito para reverter este quadro ominoso. Reclamar que não podemos fazer nada para o próprio eleitorado é assegurar que continuaremos sem poder fazer nada. Pior ainda é revelar que os políticos do nosso lado não fazem muito além de votar “sim” ou “não”, sem nada para mudar o quadro.
Antes que se diga que nada se pode fazer além de cumprir ordens (quando não torrar tempo e envidar esforços em tretas inúteis em público), a primeira coisa que políticos tinham de fazer é se tornarem mais cultos. Mais inteligentes.
Se são do nosso lado, que sejam mais perigosos. Que tenham leitura, estratégia, conhecimento. Que não tenham o vocabulário mais raso e enfadonho, os discursos........