menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Ansiedade – doença da atualidade

16 1
05.01.2026

A ansiedade é a doença silenciosa do nosso tempo. Ela não grita, mas corrói. Não se manifesta apenas nas estatísticas dos consultórios, mas nas conversas, nas redes sociais, nos olhares cansados de quem vive em permanente sobressalto. É o sintoma mais nítido de uma civilização que perdeu o eixo e se afastou do essencial.

Vivemos cercados por estímulos e carências. A tecnologia multiplicou os meios, mas reduziu os fins. Nunca tivemos tanto acesso à informação – e nunca fomos tão desinformados sobre nós mesmos. A avalanche digital transformou a vida em um fluxo contínuo de notificações, cobranças e comparações. E, como lembrou Ariano Suassuna, “o problema é que a gente trocou a alegria pela euforia, o sossego pela agitação”. A sociedade da pressa virou a fábrica da ansiedade.

Mas o problema é mais profundo. A ansiedade moderna não nasce apenas do excesso de tarefas, mas da ausência de sentido. O homem contemporâneo perdeu o norte. Substituiu a esperança pela expectativa, a oração pela preocupação. Quer controlar o amanhã com as forças de hoje – e se desespera quando percebe que o tempo não se submete à vontade humana.

Santo Agostinho, que conhecia bem as tempestades interiores, confessou: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti”. Essa inquietação é o eco do........

© Gazeta do Povo