A força silenciosa da maturidade

Há uma ideia muito difundida – e profundamente equivocada – de que a vida atinge um ápice e, depois, entra num planalto descendente. Vende-se a tese de que a fase mais fecunda está no início e que o restante se resume a administrar o passado. Um erro. Uma leitura pobre da existência. Reduz a vida a uma curva biológica, quando ela é, antes de tudo, uma construção espiritual e moral, feita de decisões, escolhas e fidelidade.

A parábola dos talentos, do Evangelho, desmonta essa visão com clareza. Cristo não pergunta quando produzimos mais – se aos 20, 40 ou 60 anos. Pergunta se fizemos render os talentos recebidos. O ponto não é o tempo. É a resposta. Não é a idade. É a atitude. A vida não se mede por fases, mas pela fidelidade ao chamado, pela capacidade concreta de transformar dons em frutos, circunstâncias em oportunidades e limites em caminhos de crescimento.

A maturidade não é redução da missão. É mudança de método. É inteligência aplicada à vida. É redefinição do modo de realizá-la. Há menos improviso e mais consistência. Menos ansiedade e mais direção. O que antes era disperso começa a ganhar unidade. O que era impulso se transforma em convicção. E o que era apenas desejo passa a se traduzir em decisões mais firmes e coerentes.

Com os anos, o ritmo muda. A energia física exige ajustes. Troca-se o futebol pela academia. Substituir, sim. Eliminar, nunca. O corpo desacelera, mas a........

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