A hora e a vez dos economistas de equilíbrio geral |
Quando comecei a estudar economia, em 1990, as grandes estrelas do debate nacional eram todas macroeconomistas. Esse fato devia-se à hiperinflação que assolou o Brasil ao longo da década de 1980 e no começo dos anos 1990.
Com a estabilização, nos anos 2000, um novo perfil passou a protagonizar as discussões: os microeconomistas especializados em equilíbrio parcial, com destaque para os economistas do trabalho e de políticas sociais. No começo de 2010, o foco migrou para os especialistas em contas públicas, mostrando a apreensão crescente da sociedade com o descontrole fiscal que resultou na crise de 2015-2016.
Hoje, as “estrelas de sucesso” entre os economistas ainda residem nos especialistas em contas públicas. Contudo, essa época está para mudar. Um governo competente, experiente e que compreende a importância da consolidação fiscal — como um importante programa para ajudar os mais pobres, via redução da inflação e maior efetividade do gasto público — será capaz de resolver o problema fiscal em um ano e meio.
Contudo, o grande desafio do próximo governo residirá em outra área: os impactos da revolução tecnológica sobre emprego, renda e bem-estar social. Temos o hábito de falar sobre a revolução causada pela inteligência artificial (IA). Mas, a rigor, a IA é apenas a ponta mais visível dessa revolução tecnológica.
Os aumentos nas capacidades de armazenamento e manipulação........