A lição que ficou do apagão: o investimento na geração tem de andar de mãos dadas com investimento na rede

Mais de um ano depois do apagão que deixou a península ibérica às escuras, o relatório agora publicado pela ENTSO-E (Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte, da qual a REN faz parte) veio finalmente responder à questão que ficou no ar desde o primeiro dia: como é que desapareceu tanta produção elétrica de repente?

E não. Não foi uma nuvem gigante a passar sobre um parque solar, como chegou a ser defendido na televisão na altura.

Porém, e tratando-se de um relatório técnico de 500 páginas, tentei traduzir e retirar as principais conclusões para que possamos todos perceber um bocadinho melhor as causas.

Voltando atrás, ao artigo que escrevi há um ano, tudo indicava que teria havido uma falha abrupta na produção, que criou um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de energia. Esse desequilíbrio levou a uma descida da frequência da rede e desencadeou o colapso do sistema elétrico. A isso juntavam-se várias hipóteses para explicar o porquê de a rede não ter conseguido responder a tempo e de forma eficaz a esta perturbação: falta de inércia no sistema, falhas na parametrização das proteções, entre outras.

No entanto a grande questão era “o que aconteceu para que essa produção desaparecesse?”, o que veio a ser respondida pelo relatório de averiguação publicado.

Acontece que houve um desequilíbrio prévio na tensão da rede, que levou a que algumas centrais se desligassem para se “protegerem”. Mas vamos por partes:

Voltando a esse dia, e às condições prévias ao incidente, estava um dia muito quente (linhas aéreas dilatam muito o seu comprimento) e, à altura do incidente, a Península Ibérica estava a consumir cerca de 90% de energia de fontes renováveis (Solar, Eólica, Hídrica). Somado a isto, o consumo de energia não era muito alto e as linhas de muito alta tensão........

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