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Como será a nossa carteira em 2035?

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19.03.2026

Durante muito tempo, a carteira foi um objeto simples onde guardávamos dinheiro, cartões e pouco mais. Depois, passou para o telemóvel. Hoje, está a evoluir novamente, e não apenas no que diz respeito ao formato. A carteira do futuro não será apenas digital: será inteligente, personalizada e cada vez mais integrada na forma como vivemos e tomamos decisões.

Ao longo da próxima década, a nossa carteira provavelmente mudará de forma significativa. Deixará de ser apenas um “lugar” para guardar meios de pagamento ou cartões de fidelização e tornar-se-á uma ferramenta ativa de gestão financeira, ajudando-nos a decidir como, quando e com que meios pagar – sempre de acordo com as nossas preferências individuais. A transição de modelos rígidos para experiências financeiras adaptadas a cada pessoa, frequentemente descrita como a passagem de um sistema “one-size-fits-all” para um modelo “fit-for-you”, será o grande marco desta evolução.

Imagine a carteira como um concierge financeiro, suportado por inteligência artificial (IA). No dia a dia, poderá sugerir a forma mais eficiente de pagar ou gerir dinheiro com o mínimo esforço. O utilizador define as regras – limites de gasto, contas e cartões prioritários, restrições – e a tecnologia faz o trabalho pesado em segundo plano. Isso pode significar, por exemplo, que a IA utilize automaticamente uma conta de débito para compras do dia a dia, um cartão com benefícios para viagens ou uma stablecoin para pagamentos internacionais. A complexidade fica “escondida”, mas o controlo permanece nas mãos de quem paga. E porque estas carteiras estarão ligadas a redes de verificação seguras, cada transação poderá ser analisada em tempo real, reduzindo o risco de fraude e aumentando a confiança nos serviços utilizados.

Nos próximos anos, os pagamentos instantâneos deixarão de ser uma exceção e tornar-se-ão habituais. Esperar dias por uma transferência começará a parecer tão obsoleto como nos dias que correm enviar um cheque pelo correio. Em paralelo, as stablecoins surgem como uma opção para movimentar dinheiro de forma rápida, sobretudo além-fronteiras. Para freelancers, pequenas empresas ou para quem exporta, receber pagamentos quase de imediato e poder utilizar esse dinheiro no próprio dia fará cada vez mais parte da normalidade.

Outro conceito com impacto crescente é o da tokenização. Representar valor em formato digital vai permitir que a “carteira do futuro” inclua não apenas dinheiro, mas também participações em ativos como imóveis, obrigações digitais ou créditos ligados à energia e sustentabilidade. A identidade poderá seguir o mesmo caminho, permitindo comprovar atributos específicos sem expor dados desnecessários. Modelos típicos de propriedade poderão vir a mudar: em vez de comprar uma casa ou um carro apenas com um tipo de “valor”, poderá ser possível partilhar participações tokenizadas em veículos ou imóveis, tornando o acesso a bens mais prático e inclusivo.

A compra de casa, um dos momentos mais complexos e demorados na vida de muitos portugueses, poderá tornar-se muito mais ágil. Assistentes digitais poderão analisar o mercado e apresentar ofertas de crédito personalizadas, enquanto contratos inteligentes automatizam transferências, pagamentos de taxas e libertação de fundos - o que torna todo o processo mais rápido e transparente.

A carteira de 2035 não será uma “super app” que faz tudo, mas sim um ecossistema de serviços e agentes inteligentes, seguros e personalizados. Cartões, contas, transferências, stablecoins e ativos tokenizados irão comunicar entre si, permitindo que os consumidores tenham mais opções e controlo sobre o seu dinheiro, e que as empresas cresçam de forma mais ágil.

O futuro dos pagamentos será mais rápido, mais seguro e mais flexível. Acima de tudo, será construído com as pessoas no centro, oferecendo-lhes um verdadeiro poder de escolha sobre como gerir o seu dinheiro no dia a dia.


© Expresso