Deixem as burcas em paz
O recente debate entre o historiador Pacheco Pereira e o líder do Chega expôs a ferida aberta da nossa democracia: a tentativa de sequestrar a religião para fins de exclusão. Quando Pacheco Pereira confrontou André Ventura com a natureza profundamente anticristã das suas políticas, a resposta de Ventura foi o derradeiro refúgio do populismo: "Somos os mais cristãos porque lutamos contra a islamização, acabámos com a burca".
É aqui que o equívoco se torna perverso. Ventura proclama-se um profeta moderno, tentando convencer o país de que ir à missa é um atestado automático de bondade. Mas, ao usar a "Lei da Burca" como arma de arremesso, o líder do Chega apenas confirma o que já sabíamos: o objetivo nunca foi defender as mulheres, mas sim fabricar um "bicho-papão" para colher votos no campo do ódio.
A intenção desta obsessão legislativa é simples e macabra:........
