Talvez eu não tenha estudado História com suficiente atenção, mas assim de repente parece-me que os incidentes diplomáticos já tiveram mais dignidade. Uma coisa é um assassínio em Saraievo, perpetrado por um nacionalista sérvio, indispor o Império Austro-Húngaro. Outra, bastante diferente, é o cantor Pedro Abrunhosa fazer considerações num concerto em Águeda e ofender a Federação Russa. Não contesto, evidentemente, a importância de Águeda no panorama geopolítico europeu (e até mundial), nem o profundo dano que as declarações de Abrunhosa, especialmente quando proferidas em Águeda, podem causar no maior país do planeta. Mas confesso que não esperava que o Governo de Vladimir Putin, por intermédio da sua embaixada em Portugal, tomasse dura posição sobre as críticas de um cantor. Não apenas por serem opiniões de um cantor, mas também porque a Federação Russa não costuma reagir a críticas através de comunicados, mas sim através da administração de Polónio-210 nas refeições do crítico. Há uma mudança de métodos que, apesar de tudo, se saúda.

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QOSHE - O arquiduque Pedro Abrunhosa - Ricardo Araújo Pereira
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O arquiduque Pedro Abrunhosa

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30.07.2022

Talvez eu não tenha estudado História com suficiente atenção, mas assim de repente parece-me que os incidentes diplomáticos já tiveram mais dignidade. Uma coisa é um assassínio em Saraievo, perpetrado por um nacionalista sérvio, indispor o Império Austro-Húngaro. Outra, bastante diferente, é o cantor Pedro Abrunhosa fazer........

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